Sistema de Compras Instantâneas (Six): o que muda para fornecedores públicos
As compras públicas brasileiras podem estar prestes a passar por sua mudança mais estrutural desde a
18/09/2025
O orçamento público do Pará 2024 e 2025 revela tendências fundamentais para compreender como o Estado destina seus recursos e quais áreas concentram as maiores oportunidades de contratos públicos.
Em 2024, a execução superou R$ 42 bilhões, com destaque para Educação e Saúde. Já em 2025, apenas no primeiro semestre, o Estado liquidou mais da metade do montante do ano anterior, com aumento expressivo em Segurança Pública e Previdência Social.
Neste artigo, analisamos os números oficiais do Portal da Transparência do Pará, destacando setores prioritários, órgãos mais contemplados e os impactos estratégicos para fornecedores em licitações.
Boa leitura!
A análise histórica do orçamento do Pará revela um crescimento consistente nos últimos cinco anos. Em 2021, o orçamento atualizado foi de R$ 36,3 bilhões, com R$ 31,3 bilhões pagos. Esse valor cresceu ano a ano, chegando a R$ 49,9 bilhões de orçamento atualizado em 2024, dos quais R$ 42,3 bilhões foram pagos — um aumento de 35% em relação a 2021.
Em 2025, apenas até julho, o orçamento atualizado já alcança R$ 46,3 bilhões, com R$ 24,3 bilhões pagos. Isso significa que o Estado desembolsou em sete meses 57% do total quitado em todo 2024, acelerando a execução orçamentária.

💡 Insight para fornecedores: esse movimento de aceleração reforça que setores como saúde, educação e segurança devem observar um aumento de licitações ainda em 2025. Historicamente, quando o governo antecipa desembolsos, busca acelerar obras, serviços e insumos no mesmo exercício fiscal.
As funções de governo representam os grandes blocos em que o orçamento é distribuído. Em 2024, o Pará destinou a maior parte de seus recursos para Educação (R$ 9,4 bilhões), seguido de Saúde (R$ 5,8 bilhões) e Previdência Social (R$ 5,6 bilhões). Esses três setores responderam, juntos, por quase metade de toda a execução do ano.
Em 2025, até julho, esse padrão se mantém, mas com uma diferença relevante: a Segurança Pública, que no ano anterior ocupava a quarta posição, já acumula R$ 2,9 bilhões pagos. Esse valor a coloca praticamente no mesmo patamar da Previdência Social (R$ 3,3 bilhões) e dos Encargos Especiais (R$ 3,1 bilhões).
Essa mudança sinaliza que a Segurança Pública está deixando de ser uma função secundária e pode encerrar 2025 como um dos três maiores blocos de despesa do Estado.
| Função | 2024 (R$ bi) | 2025 (jan–jul, R$ bi) | Análise |
|---|---|---|---|
| Educação | 9,4 | 4,9 | Segue prioridade absoluta, mas execução proporcional menor em 2025. |
| Saúde | 5,8 | 3,5 | Já alcançou 61% de todo o gasto de 2024 em apenas sete meses. |
| Previdência Social | 5,6 | 3,3 | Mantém peso alto, mas tende a perder posição para Segurança. |
| Segurança Pública | 5,2 | 2,9 | Cresceu em relevância; deve fechar 2025 entre as três maiores funções. |
| Encargos Especiais | 5,0 | 3,1 | Mantém patamar elevado, mas sem variações expressivas. |
💡 Insight para fornecedores: enquanto Educação e Saúde permanecem como prioridades tradicionais, a Segurança Pública desponta como nova frente de investimentos. Isso abre espaço para licitações em tecnologia de monitoramento, veículos, equipamentos e infraestrutura voltada à proteção da população.
As subfunções detalham em que atividades específicas os recursos são aplicados. Esse recorte ajuda fornecedores a entender onde estão as demandas concretas.
Em 2025, até julho, a maior parcela foi para Administração Geral (R$ 6,3 bilhões), refletindo os gastos contínuos de funcionamento da máquina pública — folha de pagamento, manutenção de estruturas e suporte operacional. Esse é um gasto essencial, mas que abre menos espaço direto para fornecedores privados.
Na sequência, aparecem Assistência Hospitalar e Ambulatorial (R$ 2,9 bilhões) e Ensino Médio (R$ 1,7 bilhão), que são rubricas ligadas a compras de insumos, infraestrutura e serviços.
| Subfunção | 2025 (jan–jul, R$ bi) | Análise prática |
|---|---|---|
| Administração Geral | 6,3 | Forte peso, mas baixo potencial de novos editais. |
| Previdência do Regime Estatutário | 3,1 | Gasto fixo com folha, pouco espaço para fornecedores. |
| Assistência Hospitalar/Ambulatorial | 2,9 | Gera editais para medicamentos, insumos e serviços médicos. |
| Ensino Médio | 1,7 | Demanda por reformas, kits escolares e tecnologia educacional. |
| Benefícios ao Trabalhador | 1,3 | Relacionado a programas sociais, com espaço em nichos específicos. |
Os programas traduzem a execução em políticas públicas. Em 2025 (jan–jul), o maior foi a Manutenção da Gestão (R$ 7,1 bilhões), essencial para o funcionamento administrativo. No entanto, é em Educação Básica e Profissional (R$ 3,5 bilhões) e Saúde (R$ 2,4 bilhões) que surgem as maiores oportunidades para fornecedores.
| Programa | 2025 (jan–jul, R$ bi) | Análise prática |
|---|---|---|
| Manutenção da Gestão | 7,1 | Essencial, mas pouco atrativo para fornecedores. |
| Educação Básica e Profissional | 3,5 | Demanda constante em kits, infraestrutura e tecnologia. |
| Previdência Estadual | 3,1 | Estrutural, com baixa geração de editais. |
| Encargos Especiais | 3,0 | Pouca abertura para fornecedores externos. |
| Saúde | 2,4 | Forte demanda em insumos e serviços de saúde. |
💡 Insight para fornecedores: os programas de Educação e Saúde são os motores da execução que mais se convertem em licitações estratégicas.
Olhando os órgãos que concentram o maior volume de recursos, vemos que a Educação (SEDUC) e a Previdência (IGEPREV) seguem na liderança em 2024 e 2025. Juntas, essas duas pastas responderam por R$ 13 bilhões pagos em 2024 e já somam cerca de R$ 9 bilhões em 2025 (jan–jul), mantendo a liderança, ainda que com ritmo de execução diferente entre os anos.
O gráfico abaixo também evidencia a posição da Saúde (SESPA), que aparece em terceiro lugar, e a evolução da SEOP (Obras Públicas), que mesmo com valores menores mantém trajetória de crescimento, indicando novas oportunidades em infraestrutura.

IGEPREV e SEDUC seguem como os maiores centros de execução, mas a tendência de crescimento da SEOP pode gerar editais estratégicos em obras e mobilidade urbana.
A análise dos números do orçamento do Pará em 2024 e 2025 mostra não apenas onde os recursos estão concentrados, mas também como essas escolhas devem orientar a estratégia dos fornecedores. Alguns pontos merecem destaque:
Em resumo: não se trata apenas de observar a distribuição do orçamento, mas de compreender quais sinais o governo envia ao mercado. Quem interpretar corretamente esses movimentos consegue alinhar melhor sua capacidade de entrega às reais prioridades do Estado. Veja como aplicar Inteligência de Mercado para interpretar números e antecipar oportunidades em licitações
Antes de encerrar, reunimos as dúvidas mais comuns sobre o orçamento do Pará:
1. Qual foi a área com maior gasto do Pará em 2025 até julho?
Educação, com R$ 4,9 bilhões pagos.
2. O orçamento de 2025 está maior que o de 2024?
Não. O orçamento atualizado em 2025 é menor, mas a execução está mais acelerada.
3. Onde estão as maiores oportunidades de licitações?
Educação, Saúde, Segurança Pública e Infraestrutura Urbana concentram os maiores valores.
O comparativo entre 2024 e 2025 confirma a prioridade histórica em Educação e Saúde, mas também evidencia o fortalecimento de Segurança Pública e Previdência Social.
Para fornecedores, a mensagem é clara: os próximos meses devem ser de intensa atividade licitatória, com espaço tanto em setores tradicionais quanto em novas frentes de demanda.
Continue acompanhando o In Club para análises estratégicas sobre orçamento público e seus impactos no mercado de licitações. Se quiser expandir a visão, veja também como estão as despesas públicas de Minas Gerais e compare os cenários.
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