A atividade física deixou de ser um tema restrito ao campo da saúde para se tornar uma política pública estruturante no Brasil. Com o avanço do sedentarismo e o aumento das doenças crônicas, governos municipais, estaduais e federais passaram a investir de forma contínua em programas, equipamentos, infraestrutura e serviços voltados à promoção do movimento.
Esse movimento tem impacto direto no mercado: cresce o número de licitações relacionadas à prática corporal, revitalização urbana, espaços comunitários, programas de bem-estar e soluções tecnológicas integradas.
Esse avanço não fica só no discurso: ele se traduz em aumento concreto de editais, contratação de serviços continuados e investimentos estruturais registrados no PNCP.
Para fornecedores públicos, trata-se de um mercado em expansão, altamente influenciado por políticas nacionais, pela Atenção Primária e pela agenda de promoção da saúde.
Boa leitura!
O cenário epidemiológico que impulsiona a agenda de atividade física
A evolução das políticas públicas de atividade física está diretamente associada ao impacto das doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) e ao custo anual gerado pelo sedentarismo no SUS. A combinação de dados epidemiológicos e diretrizes nacionais demonstra porque o tema se tornou prioridade e porque a demanda por infraestrutura, programas e serviços segue crescendo.
À medida que municípios ampliam suas ações em educação, saúde e convivência social, a necessidade de contratar soluções estruturadas aumente, o que oferece um cenário favorável para fornecedores preparados.
Dados que explicam a urgência
Antes de analisar as políticas públicas, é importante compreender como o cenário epidemiológico pressiona gestores municipais e estaduais a investir em infraestrutura, programas e serviços voltados à atividade física. Os dados recentes mostram um quadro que impacta diretamente o planejamento das secretarias e a lógica das compras públicas.
- 46% dos adultos brasileiros não realizam o mínimo de atividade física recomendado pela OMS.
- As DCNTs relacionadas à inatividade respondem por 72% das mortes no país.
- O SUS gasta mais de R$ 1 bilhão por ano com doenças associadas ao sedentarismo.
- Após a pandemia, aumentaram afastamentos por causas musculoesqueléticas e crônicas, ampliando a pressão sobre a APS.
Esses números deixam claro que a agenda de atividade física não é apenas uma diretriz de bem-estar, mas uma necessidade econômica e sanitária para reduzir internações, controlar custos e melhorar indicadores de qualidade de vida.
Nos últimos três anos, o PNCP registrou crescimento consistente nas contratações de infraestrutura urbana saudável, incluindo academias ao ar livre, revitalização de espaços de convivência e serviços de promoção da saúde.
Por isso, governos têm ampliado contratações de equipamentos urbanos, programas comunitários, serviços especializados e soluções tecnológicas que apoiem a prática regular de atividade física no território.
Políticas públicas que estimulam atividade física no Brasil
A atividade física ocupa hoje uma posição central em programas federais e iniciativas intersetoriais. Essas políticas estruturam editais de compras, definem metas para municípios e ampliam a contratação de profissionais, oficinas, infraestrutura e tecnologia.
Além disso, consolidam a atividade física como elemento transversal de educação, assistência social, urbanismo e saúde pública.
Programa Saúde na Escola (PSE)
O PSE estimula práticas corporais e ações educativas, gerando demanda por:
- oficinas de movimento;
- formações de profissionais;
- materiais pedagógicos;
- tecnologias de monitoramento.
Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS)
Fortalece iniciativas como:
- mobilidade ativa;
- ambientes urbanos saudáveis;
- projetos comunitários de prática corporal.
Saúde do trabalhador
Órgãos públicos têm ampliado contratações de:
- ginástica laboral;
- ergonomia preventiva;
- plataformas digitais de bem-estar.
Infraestrutura pública: academias ao ar livre como eixo de bem-estar comunitário
As academias ao ar livre tornaram-se símbolo da política pública de promoção da atividade física. Elas combinam infraestrutura de baixo custo, impacto social elevado e capacidade de atender diferentes faixas etárias.
Ao integrar espaços de convivência, saúde mental, prevenção e urbanismo, tornam-se objeto frequente de licitações e emendas parlamentares.
Programa Academia da Saúde
Retomado com força a partir de 2023, o programa impulsionou:
- construção e revitalização de polos;
- integração com UBS e NASF;
- oferta de oficinas, instrutores e atividades permanentes.
Cada polo gera demanda por licitações envolvendo:
- equipamentos de aço;
- iluminação pública;
- pisos adequados;
- mobiliário urbano;
- manutenção contínua.
Oportunidades diretas para fornecedores
Fornecedores podem atuar em:
- equipamentos externos;
- obras e implantação;
- manutenção preventiva;
- sinalização e comunicação visual;
- projetos educativos;
- soluções digitais de impacto.
Oportunidades estratégicas de licitação para fornecedores
A consolidação da atividade física como política pública gera um mercado amplo que combina infraestrutura, serviços especializados e tecnologia. Essas oportunidades se distribuem entre secretarias de Saúde, Educação, Esportes, Assistência Social e Planejamento Urbano.
Programas de bem-estar para servidores
Com o aumento dos afastamentos por causas musculoesqueléticas e o foco crescente em saúde ocupacional, órgãos públicos passaram a investir em iniciativas que promovem movimento durante a jornada de trabalho. Esses programas reduzem custos com absenteísmo e fortalecem políticas internas de cuidado, ampliando a demanda por soluções especializadas.
- ginástica laboral;
- ergonomia;
- oficinas corporais;
- plataformas digitais.
Projetos educacionais e comunitários
Escolas, CRAS, centros comunitários e secretarias de esportes estruturam projetos que integram atividade física, convivência social e prevenção de doenças. Essas iniciativas ampliam o alcance das políticas públicas e geram oportunidades recorrentes para fornecedores que atuam com programas sociais e ações educativas.
- atividades esportivas escolares;
- oficinas para idosos;
- mobilização comunitária.
Soluções digitais
A digitalização da gestão pública também chegou às políticas de atividade física. Ferramentas digitais ajudam gestores a monitorar participação, mensurar impacto e construir evidências para tomada de decisão, um movimento que abre espaço para fornecedores de tecnologia aplicados à saúde e ao bem-estar.
- aplicativos;
- plataformas de acompanhamento;
- dashboards para gestores.
Consultorias e capacitações
Com a expansão das políticas de promoção da saúde, municípios e estados precisam qualificar equipes, estruturar programas e profissionalizar intervenções. Esse cenário amplia a demanda por consultorias especializadas, formações técnicas e treinamentos que apoiem gestores e educadores.
- programas estruturados;
- formações técnicas;
- treinamentos intersetoriais.
Infraestrutura urbana
A criação e revitalização de espaços públicos para prática corporal, como academias ao ar livre e praças esportivas, consolidou-se como uma das frentes mais frequentes de investimento municipal. Infraestrutura urbana bem planejada melhora indicadores de saúde e fortalece a convivência comunitária, ampliando oportunidades para fornecedores de construção e mobiliário urbano.
- academias ao ar livre;
- praças esportivas;
- mobiliário urbano.
O que fornecedores devem monitorar daqui para frente
A evolução das políticas públicas de atividade física está ligada a mudanças epidemiológicas, diretrizes federais e orçamento público. A leitura desses movimentos é essencial para prever demanda e ajustar estratégias comerciais.
Além disso, o PNCP se tornou o principal repositório de editais, facilitando o acompanhamento de contratações municipais e estaduais.
Sinais estratégicos de mercado
A leitura dos movimentos normativos e orçamentários é fundamental para antecipar onde estarão as próximas demandas públicas. Esses sinais ajudam fornecedores a entender o ritmo das contratações, os setores que ganharão prioridade e como as políticas federais influenciam editais municipais e estaduais. A combinação desses fatores indica que o mercado de atividade física continuará em expansão e cada vez mais integrado às agendas de saúde, urbanismo e assistência social.
- expansão do Programa Academia da Saúde;
- novas portarias federais de promoção da saúde;
- programas intersetoriais de bem-estar;
- políticas para envelhecimento ativo;
- aumento de emendas parlamentares para urbanismo.
FAQ — Perguntas estratégicas para fornecedores que atuam com atividade física
A consolidação da atividade física como política pública gerou um ambiente de contratação mais dinâmico, com editais que envolvem infraestrutura, serviços especializados, equipamentos urbanos e tecnologia. Para apoiar fornecedores na leitura desse mercado, reunimos abaixo as dúvidas mais frequentes, todas contextualizadas com o comportamento real das compras públicas.
1. O que os municípios mais compram quando o assunto é atividade física?
As compras municipais refletem políticas contínuas de promoção da saúde, revitalização urbana e convivência comunitária. Por isso, a demanda costuma se concentrar em itens e serviços que estruturam programas permanentes.
Principais contratações:
- equipamentos para academias ao ar livre, que atendem diferentes faixas etárias;
- revitalização de praças esportivas, alinhada a projetos de urbanismo saudável;
- ginástica laboral para servidores, ligada à saúde ocupacional;
- oficinas e programas para idosos, integradas a CRAS e unidades de saúde;
- materiais esportivos escolares, devido a projetos do PSE e secretarias de educação.
Essas compras representam políticas transversais e tendem a crescer conforme municípios ampliam ações de prevenção.
2. Em qual modalidade entram academias ao ar livre?
A modalidade mais adequada depende da natureza do objeto contratado:
- Pregão eletrônico → quando o foco é fornecimento dos equipamentos, classificados como bens comuns.
- Concorrência → utilizada quando a contratação envolve obras, como implantação completa, reforma de praças e adequação do espaço físico.
- Dispensa por valor → utilizada para pequenas revitalizações, reparos ou substituição pontual de equipamentos.
A escolha reflete tanto o escopo quanto a maturidade do projeto no município, e todos seguem a Lei 14.133/2021 e registros via PNCP.
3. Projetos de atividade física podem ser contratados como serviços?
Sim. E isso é bastante comum, especialmente em políticas de promoção da saúde e convivência comunitária.
Podem ser contratados como serviço:
- oficinas regulares, como dança, caminhada orientada e atividades corporais;
- ações educativas em escolas e unidades de saúde;
- programas estruturados para grupos específicos (idosos, usuários com DCNT, servidores públicos);
- capacitações e formações para equipes intersetoriais.
Esses serviços costumam aparecer em pregões ou concorrências, conforme complexidade e abrangência.
4. Como prever demanda municipal por infraestrutura esportiva?
A demanda municipal segue padrões claros:
- picos no início de mandatos, quando prefeitos estruturam programas e obras;
- execução de emendas parlamentares, especialmente em urbanismo e esporte;
- implementação de programas federais, como Academia da Saúde e PSE;
- sazonalidade regional, em função de clima, turismo e vocações locais.
Quais documentos técnicos costumam ser exigidos em licitações do setor?
Editais desse segmento costumam exigir documentação que garanta segurança, qualidade e conformidade técnica, especialmente quando o objeto envolve equipamentos ou instalação de infraestrutura.
Documentos mais comuns:
- certificações de qualidade dos materiais;
- memorial descritivo detalhado;
- ART/RRT para implantação ou reformas;
- comprovação de capacidade técnica, incluindo atestados;
- especificações padronizadas, quando definidas por secretarias ou normativas estaduais.
Esses requisitos ajudam a qualificar o mercado e garantem a durabilidade dos equipamentos e serviços contratados.
Atividade física como vetor de oportunidades no setor público
A atividade física consolidou-se como política pública estratégica. A combinação de prevenção, inclusão social e infraestrutura urbana cria um ambiente altamente favorável para fornecedores que atuam com serviços, projetos comunitários, mobiliário urbano e tecnologia.
A agenda de atividade física não é uma tendência passageira, é uma política pública duradoura, com orçamento crescente e demanda estruturada nos três níveis de governo.
Empresas que unem visão estratégica + inteligência de mercado + portfólio alinhado às diretrizes públicas terão vantagem competitiva em um dos mercados mais promissores das compras governamentais.
Quer entender como identificar melhor essas oportunidades no setor público? Aprofunde-se no artigo Análise de Mercado: o que é, como fazer e por que ela é essencial para seu negócio, no Blog Sol.