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  • Sistema de Compras Instantâneas (Six): o que muda para fornecedores públicos
08/01/2026

Sistema de Compras Instantâneas (Six): o que muda para fornecedores públicos

Sistema de Compras Instantâneas (Six): o que muda para fornecedores públicos

As compras públicas brasileiras podem estar prestes a passar por sua mudança mais estrutural desde a criação da Lei nº 14.133/2021. O Projeto de Lei nº 2133/2023, aprovado pelo Senado em outubro de 2025 e aguardando sanção presidencial propõe a criação do Sistema de Compras Instantâneas (Six), um novo mecanismo de contratação direta voltado a bens comuns padronizados, como medicamentos, insumos hospitalares, equipamentos de informática e itens de consumo institucional.

Se regulamentado, o Six inaugura uma dinâmica diferente da atual: menos dependência de pregões e maior peso para credenciamento técnico contínuo, padronização e gestão eficiente de catálogo no PNCP. Para fornecedores, isso significa reposicionar estratégia, compliance e operação.

Neste artigo, você vai entender:

  • O que é o Six e como ele funcionará;
  • O que muda na Lei nº 14.133/2021;
  • Os impactos estratégicos para fornecedores;
  • Como se preparar para o novo cenário regulatório;
  • Respostas às principais dúvidas (FAQ).

Boa leitura!

 

O que é o Sistema de Compras Instantâneas (Six)

 

O Six será uma nova modalidade de contratação direta prevista no Capítulo VIII da Lei nº 14.133/2021, com a criação do artigo 75-A. Ele estabelece um modelo de credenciamento contínuo, no qual fornecedores homologam previamente seus produtos seguindo padrões técnicos definidos pelo Poder Executivo Federal e ficam aptos a atender pedidos imediatos de compra.

Ao contrário do pregão, não há disputa.

Ao contrário da dispensa por valor, não há limite financeiro.

O critério é apenas um: padronização do item.

O Six funcionará dentro do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), que centralizará:

  • catálogo padronizado;
  • credenciamento;
  • histórico de preços e transações;
  • conformidade técnica;
  • auditorias e governança.

Como o Six funcionará na prática

  1. O governo define os itens padronizados (ex.: paracetamol 750mg, notebook 8GB RAM, EPI padrão).
  2. Fornecedores credenciam seus produtos no PNCP.
  3. Órgãos públicos compram diretamente, sem abrir nova licitação.
  4. O sistema registra preços homologados, volume contratado e histórico de conformidade.

O modelo aproxima o Brasil de marketplaces públicos regulados, como no Reino Unido, Chile e Portugal.

 

Pregão, Dispensa e Six: qual a diferença?

 

A criação do Six não elimina modalidades tradicionais como pregão e dispensa, mas reorganiza o papel de cada uma dentro do ecossistema de compras públicas. Para muitos fornecedores, a dúvida central é quando o Six será utilizado, como ele convive com os modelos atuais e o que muda na prática em termos de competitividade, preparo técnico e velocidade das contratações.

Comparar as três modalidades lado a lado ajuda a entender o alcance dessa transformação, especialmente porque o Six desloca o foco da disputa para a padronização e o credenciamento contínuo, exigindo uma nova lógica de operação por parte dos fornecedores.

A tabela abaixo sintetiza as principais diferenças:

 

Tabela 1 — Comparação entre Pregão Eletrônico, Dispensa e Sistema de Compras Instantâneas (Six)

Critério Pregão Eletrônico Dispensa por Valor (art. 75) Sistema de Compras Instantâneas (Six)
Base legal Lei 14.133/2021 Lei 14.133/2021 PL 2133/2023
Objeto Bens e serviços comuns Pequenos valores Bens comuns padronizados
Rito Competitivo Simplificado Credenciamento → compra direta
Tempo Semanas ou meses Dias Minutos ou horas
Exigências Documentação completa Documentação simplificada Conformidade técnica rígida
Ambiente Compras.gov / PNCP PNCP Exclusivamente PNCP
Preço Formado por disputa Contratação direta Homologado previamente
Impacto ao fornecedor Competição intensa Boa para MEs/EPP Exige estratégia de catálogo e compliance

 

O Six não substitui o pregão, mas cria um novo ecossistema para itens padronizáveis com impacto direto no posicionamento competitivo dos fornecedores.

 

Impactos esperados para fornecedores públicos

 

A criação do Six desloca parte da lógica das compras públicas de um modelo centrado na disputa para um modelo centrado em padronização, conformidade e prontidão técnica. Isso exige uma mudança estratégica relevante na forma como fornecedores operam.

Em vez de focar esforços na etapa de disputa, fornecedores precisarão investir em:

  • governança documental,
  • consistência técnica de portfólio,
  • inteligência regulatória,
  • presença qualificada no PNCP,
  • gestão dinâmica de catálogo.

 

Benefícios potenciais

 

A adoção do Six altera a dinâmica tradicional das compras públicas, reduzindo etapas burocráticas e trazendo previsibilidade para fornecedores. O modelo baseado em credenciamento contínuo favorece quem mantém documentação atualizada e portfólio padronizado.

  • Redução significativa de custos com participação em pregões.
  • Maior previsibilidade de demanda e fluxo de compras.
  • Entrada facilitada para pequenos e médios fornecedores tecnicamente preparados.
  • Ciclos de venda mais rápidos após homologação.
  • Estabilidade comercial baseada em conformidade, não disputa.

 

Desafios e riscos

 

Apesar dos benefícios, o Six também cria um ambiente mais técnico e competitivo. Fornecedores que não se adaptarem à nova lógica — baseada em padronização, governança documental e revisão periódica de catálogo — podem perder espaço rapidamente

  • Dependência direta da padronização governamental.
  • Possível concentração de mercado em setores dominados por poucos fabricantes.
  • Exigência de compliance técnico robusto.
  • Revisões de preço reguladas, não negociadas.
  • Pressão por governança interna mais sofisticada.

 

O que a regulamentação ainda precisa definir

 

Embora o Six represente uma mudança estrutural nas compras públicas, nada entra em vigor até que o Poder Executivo Federal publique o regulamento oficial. É esse documento que dará forma prática ao sistema e determinará como fornecedores deverão se adaptar.

Até lá, o Six permanece como um modelo com alto potencial, mas com variáveis críticas em aberto — e são justamente essas definições que indicarão o grau de competitividade, previsibilidade e complexidade operacional do novo ambiente de contratações.

Entre os pontos que ainda precisam ser detalhados:

  • categorias que serão padronizadas primeiro;
  • critérios de rotatividade e seleção entre fornecedores credenciados;
  • método de revisão e atualização periódica de preços;
  • regras de auditoria, conformidade e penalidades;
  • modelo de adesão de estados e municípios ao sistema.

Esses elementos funcionarão como o “motor” do Six. Dependendo de como forem definidos, o impacto sobre a rotina dos fornecedores poderá variar de ajustes pontuais a uma mudança completa no modelo de operação e precificação.

Como fornecedores podem se preparar desde já

 

Mesmo antes da regulamentação federal, o Six já sinaliza qual será o novo padrão de maturidade exigido dos fornecedores que atuam com bens comuns. A lógica do sistema baseada em padronização, conformidade técnica contínua e governança de catálogo, exige preparação antecipada.

Empresas que começarem a se adaptar agora terão vantagem quando o credenciamento for disponibilizado no PNCP, reduzindo o tempo de adequação e aumentando a probabilidade de serem homologadas nas primeiras ondas de seleção.

A seguir, os movimentos mais importantes para construir essa preparação:

 

1. Revisar portfólio e identificar itens padronizáveis

 

Medicamentos, EPI, informática, mobiliário, material de escritório e insumos básicos são fortes candidatos.

 

2. Ajustar documentação técnica

 

Fichas, conformidade normativa, laudos e certificações precisarão estar impecáveis.

 

3. Fortalecer presença no PNCP

 

Catálogo detalhado, cadastro atualizado e estrutura organizada serão diferenciais competitivos.

 

4. Utilizar inteligência de mercado

 

Ferramentas como o TRP da Essenciz ajudam a prever setores com maior probabilidade de padronização.

  • Leia Também: Como Encontrar Nichos Pouco Disputados nas Licitações

 

FAQ: Perguntas Frequentes sobre o Sistema de Compras Instantâneas (Six)

 

A criação do Six trouxe uma série de dúvidas entre fornecedores, especialmente porque o modelo ainda depende de regulamentação federal e representa uma mudança estrutural na forma como o governo adquire bens comuns padronizados. Para facilitar a adaptação ao novo cenário, reunimos abaixo as perguntas mais frequentes — aquelas que já aparecem em análises técnicas, audiências públicas e consultas de mercado.
Esse bloco ajuda fornecedores a entender o que já está definido, o que ainda depende de regulamentação e como o Six se relaciona com modalidades tradicionais como pregão e dispensa.

 

1. O Sistema de Compras Instantâneas (Six) substitui o pregão?

 

 

 

Não. O Six não substitui o pregão eletrônico. Ele cria uma modalidade adicional voltada exclusivamente para bens comuns padronizados. Pregões continuam sendo utilizados para bens e serviços comuns que não se enquadram em padronização nacional.

 

 

2. O Six entra em vigor automaticamente após a aprovação do PL 2133/2023?

 

 

Não. O Six só passa a funcionar após regulamentação do Poder Executivo Federal, que definirá categorias, regras de credenciamento, rotatividade e critérios operacionais.

 

 

3. Haverá disputa de preços no Six?

 

 

Não. No Sistema de Compras Instantâneas, os preços são homologados previamente durante o credenciamento. A seleção do fornecedor não ocorre por disputa, mas por conformidade técnica e disponibilidade.

 

 

4. O Six poderá ser usado para contratação de serviços?

 

 

Não. O modelo previsto é limitado a bens comuns padronizáveis. Serviços continuam sob outras modalidades previstas na Lei 14.133/2021.

 

 

5. Estados e municípios serão obrigados a adotar o Six?

 

 

Não. A adesão é voluntária. Estados e municípios poderão optar por utilizar o Six como ferramenta complementar ao pregão e à dispensa por valor.

 

O papel estratégico dos fornecedores neste novo cenário

 

O Six desloca o eixo competitivo: sai a disputa em tempo real, entra a inteligência regulatória, o compliance e a excelência de catálogo.

Fornecedores que investirem em maturidade técnica e monitoramento normativo estarão no topo das primeiras ondas de credenciamento.

  • Leia também: Conheça os desafios do credenciamento em licitações

 

O que o Six representa para o futuro dos fornecedores públicos

 

O Sistema de Compras Instantâneas representa uma mudança profunda nas compras públicas brasileiras.
Ele simplifica, agiliza e centraliza, mas exige preparo técnico, organização e adaptação dos fornecedores.

Agora é o momento de:

  • acompanhar a regulamentação,
  • estruturar documentações,
  • revisar portfólios,
  • fortalecer presença no PNCP,
  • e usar inteligência de mercado para antecipar a redistribuição das oportunidades.

Quem se posicionar antes terá vantagem quando o Six entrar plenamente em operação.

Quer entender como o Six impactará sua operação e como sua empresa pode se preparar com inteligência regulatória?

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Sobre o In Club

Lançado em 2014, o In Club é uma iniciativa IBIZ®, referência tecnológica na captura, tratamento, entrega, gestão e inteligência da informação para o mercado de Compras Públicas. A proposta do In Club é integrar a extensa rede de empresas, profissionais prestadores de serviços e fornecedores que atuam direta e indiretamente no mercado de Compras Públicas, tornando-se uma referência, um ponto de encontro.

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