A obesidade no mundo já é reconhecida como uma epidemia global em ritmo acelerado, com impactos diretos sobre os sistemas de saúde, a economia e a qualidade de vida das populações. O Atlas Mundial da Obesidade 2025 alerta que, até 2030, quase 3 bilhões de adultos estarão com sobrepeso ou obesidade, representando metade da população mundial.
Neste artigo, vamos analisar:
- A evolução histórica da obesidade global;
- Os números atuais e as projeções até 2030;
- Os impactos da obesidade na saúde pública;
- Os principais desafios globais de enfrentamento;
- Caminhos estratégicos para reduzir os riscos até 2030 e além.
Boa leitura!
Evolução histórica da obesidade global
Nas últimas quatro décadas, a obesidade deixou de ser uma condição marginal para se tornar uma das principais ameaças à saúde mundial. Desde 1980, a taxa de obesidade quase triplicou, impulsionada por mudanças alimentares, sedentarismo e urbanização acelerada.
Esse crescimento tem padrões distintos:
- América do Norte e Oriente Médio: apresentam as maiores taxas de obesidade adulta.
- Ásia e África: registram o crescimento mais rápido, associado ao aumento do consumo de ultraprocessados.
- Europa: estabilização em alguns países, mas com índices ainda elevados.
Números globais da obesidade
Com base nas tendências atuais, o mundo não atingirá as metas de 2025 da Assembleia Mundial da Saúde para prevenção e controle de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs). Entre elas estão:
- “interromper o aumento do diabetes e da obesidade”;
- “redução relativa de 25% na mortalidade prematura por doenças cardiovasculares, câncer, diabetes ou doenças respiratórias crônicas”, considerando a linha de base de 2010 (OMS).
Da mesma forma, também é improvável que o mundo atinja a meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que prevê “reduzir em um terço a mortalidade prematura por DCNTs até 2030” (ONU).
De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade 2025:
- Em 2030, metade da população adulta mundial terá IMC alto;
- Serão 2,9 bilhões de adultos com excesso de peso;
- Desses, 1,1 bilhão (487 milhões de homens e 643 milhões de mulheres) terão obesidade (IMC ≥ 30);
- Aproximadamente 400 milhões de pessoas viverão com obesidade grave (IMC ≥ 35), nível que aumenta drasticamente o risco de morte prematura.
Impactos da obesidade na saúde pública
A probabilidade de desenvolver uma DCNT aumenta pela combinação de fatores de risco como uso de tabaco, falta de atividade física, dieta inadequada e alto peso corporal. Esses fatores são responsáveis por mais da metade de todas as mortes prematuras por DCNTs, que chegaram a 10,7 milhões em 2021. Destas, 1,6 milhão (15%) foram atribuídas ao alto índice de massa corporal (IMC), enquanto o IMC alto respondeu por 55% das mortes prematuras por diabetes tipo II (GBD, 2024).
Em termos de qualidade de vida, o excesso de peso responde por 27% dos anos de vida perdidos por DCNTs, impactando diretamente a expectativa e a produtividade da população.
Além do aspecto clínico, há o peso econômico: custos crescentes com internações, medicamentos de uso contínuo e absenteísmo laboral pressionam os sistemas de saúde e as economias nacionais.
💡 Insight para políticas públicas: no SUS, esse cenário se traduz em licitações de alto volume para medicamentos antidiabéticos e antihipertensivos, além de editais contínuos para insumos hospitalares e programas de prevenção.
Desafios globais de enfrentamento
O relatório mostra que apenas 13 países possuem sistemas de saúde preparados para lidar com a obesidade.
A OMS recomenda medidas que ainda não foram implementadas de forma consistente, como:
- Tributação de ultraprocessados e bebidas açucaradas;
- Restrições ao marketing infantil;
- Incentivos fiscais para alimentos saudáveis;
- Planejamento urbano que estimule atividade física.
A tendência global é ampliar compras governamentais de alimentos saudáveis para escolas, kits de atenção primária e insumos de monitoramento de saúde. Para fornecedores, entender esse movimento significa se preparar para editais mais exigentes em qualidade nutricional e inovação em saúde preventiva.
Caminhos para 2030 e além
O enfrentamento da obesidade não pode ser responsabilidade exclusiva do setor de saúde. Trata-se de um problema estrutural que exige integração entre educação, transporte, economia, agricultura e planejamento urbano.
- Educação: programas de alimentação saudável nas escolas e inserção de educação nutricional no currículo.
- Economia e agricultura: subsídios a alimentos frescos e tributação de ultraprocessados e bebidas açucaradas.
- Transporte e urbanismo: criação de ambientes que estimulem atividade física com ciclovias, parques e mobilidade ativa.
Para os governos, esse desenho multissetorial se reflete em licitações conjuntas que envolvem desde merenda escolar até infraestrutura urbana, impactando diretamente a cadeia de fornecedores.
Tecnologia e inovação
A digitalização é uma aliada essencial para conter a epidemia de obesidade. Ferramentas de inteligência artificial e análise preditiva já são capazes de identificar áreas de maior risco, prever sobrecarga em serviços de saúde e direcionar investimentos públicos.
- Plataformas de telemedicina podem ampliar o acesso a tratamento especializado.
- Aplicativos de monitoramento de saúde podem ser incorporados em políticas públicas para acompanhamento de grupos de risco.
- O uso de big data em saúde pública ajuda a orientar editais de compra de medicamentos e insumos com base em projeções reais de demanda.
FAQ – Perguntas frequentes sobre obesidade no mundo
A seguir, reunimos algumas das dúvidas mais comuns sobre a obesidade global:
1. Qual país tem o maior índice de obesidade no mundo?
Os países do Oriente Médio e da América do Norte concentram as maiores taxas de obesidade. Entre os principais estão Estados Unidos, Arábia Saudita e Kuwait, onde mais de 35% da população adulta vive com obesidade.
2. Quais doenças estão mais associadas à obesidade?
A obesidade aumenta significativamente o risco de desenvolver diabetes tipo II, doenças cardiovasculares, hipertensão, alguns tipos de câncer, AVC e problemas respiratórios crônicos.
3. O que a OMS recomenda para conter a obesidade global?
Medidas fiscais (impostos sobre ultraprocessados), regulação do marketing infantil, estímulo a hábitos saudáveis e urbanismo que favoreça transporte ativo.
4. Por que a obesidade é considerada uma epidemia mundial?
A obesidade é classificada como epidemia porque afeta mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, com tendência de crescimento em quase todos os continentes. Seu impacto é severo tanto para a saúde pública quanto para a economia global, aumentando custos de tratamento e reduzindo a produtividade.
Um desafio global com impactos estruturais
A obesidade no mundo é um desafio estrutural que exige ações urgentes, multissetoriais e coordenadas. Os números do Atlas Mundial da Obesidade 2025 são claros: se nada for feito, a próxima década trará custos sociais, econômicos e humanos sem precedentes.
Mais do que escolhas individuais, a obesidade reflete contextos sociais, econômicos e culturais que demandam políticas públicas robustas e cooperação internacional.
Para os gestores públicos, esse cenário significa maior pressão sobre os sistemas de saúde e expansão das licitações em medicamentos, insumos hospitalares, exames e programas de prevenção. Para se aprofundar mais no tema das compras governamentais, aproveite para ler também o nosso artigo sobre como transformar o mercado público brasileiro.