Sistema de Compras Instantâneas (Six): o que muda para fornecedores públicos
As compras públicas brasileiras podem estar prestes a passar por sua mudança mais estrutural desde a
27/11/2025
O estado nutricional e o consumo alimentar no Brasil são monitorados de forma contínua por pesquisas oficiais que acompanham os hábitos da população adulta nas principais capitais. A edição mais recente do VIGITEL 2023, publicada em 2024 é a última versão disponível da série histórica iniciada em 2006 e apresenta um panorama atualizado sobre a evolução dos indicadores alimentares e nutricionais no país. Esse monitoramento permite identificar tendências consolidadas, como o avanço do excesso de peso, a queda no consumo de alimentos in natura e o aumento da presença de ultraprocessados na rotina alimentar.
Para fornecedores que atuam em licitações de alimentação, merenda escolar, abastecimento institucional ou serviços de refeições, compreender esses movimentos é fundamental. As mudanças no comportamento alimentar da população influenciam diretamente políticas públicas, padrões nutricionais exigidos em contratos e critérios técnicos presentes nos editais.
Neste artigo, você vai entender:
Boa leitura!
As pesquisas do VIGITEL (2006–2023) e estudos internacionais recentes mostram mudanças significativas no padrão alimentar brasileiro. O país convive hoje com dois fenômenos simultâneos: piora dos indicadores de excesso de peso e redução da qualidade da alimentação. Entre os destaques mais recentes:
Um estudo publicado em fevereiro de 2025, com base em dados do VIGITEL entre 2008 e 2023, identificou inclusive um declínio no consumo de frutas e hortaliças no período mais recente (2015–2023), evidenciando piora no padrão alimentar.
Para aprofundar essa reflexão, leia o artigo Contratos públicos garantem alimentação de qualidade a milhões de brasileiros.
Esses dados reforçam a necessidade de políticas nutricionais mais exigentes e criam oportunidades para fornecedores capazes de atender padrões de qualidade mais altos, seja com produtos naturais, minimamente processados ou com reformulações que reduzam açúcar, sódio e gordura. Essas evidências dialogam com as análises aprofundadas já publicadas pelo InClub sobre obesidade no mundo e obesidade no Brasil, que contextualizam o avanço das DCNTs e suas implicações para políticas públicas.
Tabela — Tendências nacionais (VIGITEL 2023, IBGE 2024–2025, Atlas 2025)
| Tendência | Evidências mais recentes (2023–2025) | Impacto nas políticas | Oportunidades para fornecedores |
|---|---|---|---|
| Excesso de peso | • 61,4% dos adultos das capitais (VIGITEL 2023) • Atlas 2025: estimativa nacional chegando a 68% |
Expansão de programas de promoção de alimentação saudável; exigências nutricionais mais rígidas | Reformulação de produtos; redução de sódio/açúcar; rotulagem mais clara |
| Obesidade | • 21,9% de prevalência nas capitais (VIGITEL 2023) • Atlas 2025: 1 em cada 3 brasileiros vive com obesidade • Projeção 2025: 31% |
Fortalecimento de diretrizes como PNAE/PAA; restrição de ultraprocessados; políticas de enfrentamento às DCNTs | Produtos de composição limpa; itens integrais; soluções com teor reduzido de açúcar/gorduras |
| Baixo consumo de frutas/verduras | • 31,9% consomem em 5+ dias/semana (frequência) • Apenas 22–25% atingem a recomendação mínima de 5 porções/dia (400g) (OMS) • Estudo 2025 mostra queda entre 2015–2023 |
Incentivo à compra institucional, agricultura familiar, cardápios baseados em alimentos in natura | Hortifrúti regional; logística refrigerada; produtos minimamente processados |
| Alta ingestão de ultraprocessados | • Consumo de 5+ grupos de ultraprocessados cresceu desde 2018 (VIGITEL) | Redução em cardápios de escolas, hospitais e socioassistenciais; restrições em editais | Reformulação de portfólio; versões menos processadas; eliminação de aditivos críticos |
| Desigualdade alimentar | • Insegurança alimentar em 2024 atinge o menor nível em 20 anos, mas ainda afeta 6,48 milhões de pessoas (IBGE/PNAD 2024) • Diferenças marcantes por renda, região e escolaridade |
Políticas territoriais; priorização de compras regionais; programas de assistência alimentar | Kits alimentares; soluções regionais; cestas com foco nutricional; abastecimento local |
Os dados sobre estado nutricional e consumo alimentar influenciam diretamente:
Na prática, isso significa que os contratos públicos estão cada vez mais orientados por critérios nutricionais claros e fornecedores que conseguem demonstrar qualidade, rastreabilidade e adequação técnica têm muito mais chances de competir com vantagem.
As mudanças no estado nutricional da população e no consumo alimentar, evidenciadas pelo vigitel, pelas projeções internacionais e pelos dados recentes do IBGE, já têm reflexo direto nos critérios técnicos adotados pelo setor público. À medida que governos reforçam políticas de alimentação saudável, ampliam a vigilância nutricional e ajustam cardápios em escolas, hospitais, unidades socioassistenciais e forças de segurança, abre-se um conjunto de oportunidades para fornecedores capazes de entregar soluções alinhadas às novas exigências de qualidade, rastreabilidade e composição.
Mais do que acompanhar editais, competir com vantagem passa a exigir leitura estratégica das tendências nutricionais e capacidade de adaptar portfólio, documentação e logística às demandas específicas de cada segmento.
A seguir, alguns dos mercados mais impactados e onde esses insights podem ser aplicados de forma prática:
Hospitais, unidades socioassistenciais e atenção básica demandam:
Critérios como densidade nutricional, laudos técnicos e regularidade de entrega ganham peso nos editais.
Tendências:
Oportunidades:
O PNAE exige:
Fornecedores podem explorar:
A demanda aumenta por:
Em resumo, os fornecedores que conseguem traduzir essas tendências nutricionais em soluções práticas, seja por meio de um portfólio atualizado, processos mais robustos ou comprovação técnica consistente tornam-se parceiros mais confiáveis para o setor público. O mercado de alimentação institucional está passando por mudanças estruturais, e quem se antecipa a essas exigências chega às licitações com mais clareza, mais preparo e muito mais chances de vitória.
A seguir, reunimos algumas perguntas frequentes que ajudam a esclarecer como os dados de estado nutricional e consumo alimentar no Brasil influenciam políticas públicas, critérios de editais e oportunidades para fornecedores que atuam no mercado de alimentação institucional.
Sim. As compras governamentais utilizam dados epidemiológicos para orientar padrões nutricionais e critérios mínimos de qualidade. Programas como PNAE, PAA, protocolos hospitalares, portarias estaduais e diretrizes municipais de alimentação saudável são fundamentados em informações do VIGITEL, IBGE/PNAD, Atlas Mundial da Obesidade e estudos acadêmicos. Esses dados definem desde a composição de cardápios até restrições de ingredientes e exigências de rotulagem e rastreabilidade.
Não. Ultraprocessados não estão proibidos, mas sofrem restrições crescentes. Em escolas, hospitais e unidades socioassistenciais, muitos estados e municípios já:
Sim. Fórmulas enterais, suplementos nutricionais, espessantes, módulos proteicos e leites especiais aparecem de forma contínua em licitações estaduais e municipais especialmente em hospitais, unidades de acolhimento, redes socioassistenciais e programas de atenção domiciliar. A demanda cresce com o envelhecimento populacional, aumento das DCNTs e maior atenção nutricional em políticas públicas.
Conseguem e têm vantagens competitivas em vários segmentos. MEIs, MEs e EPPs são extremamente competitivos em categorias como:
Sim. A tendência é de exigências nutricionais cada vez mais criteriosas, impulsionadas por:
Isso inclui maior foco em alimentos in natura, limites para ultraprocessados, mais pedidos de tabelas nutricionais, rastreabilidade, laudos e comprovações técnicas.
As evidências mais recentes sobre o estado nutricional e o consumo alimentar no Brasil mostram um cenário em rápida transformação e o setor público está respondendo a essas mudanças com políticas mais técnicas, cardápios mais criteriosos e editais cada vez mais alinhados às diretrizes de alimentação saudável. Para os fornecedores, isso significa atuar em um ambiente no qual qualidade, rastreabilidade e aderência nutricional deixaram de ser diferenciais e passaram a ser requisitos para competir.
Os dados do VIGITEL, do IBGE e das projeções internacionais revelam tendências claras: redução do consumo de alimentos in natura, avanço dos ultraprocessados, aumento do excesso de peso e da obesidade e desigualdades alimentares persistentes. Entender esse contexto é fundamental para desenvolver soluções mais sólidas, ajustar portfólios e construir propostas técnicas que dialoguem diretamente com o que os órgãos públicos buscam.
Ao incorporar essas evidências no planejamento, fornecedores chegam às licitações com maior clareza sobre o que é valorizado, quais critérios tendem a endurecer e como traduzir requisitos nutricionais em produtos, logística e comprovações técnicas. Em um mercado que avança para padrões mais exigentes, vence quem combina leitura estratégica do cenário com capacidade de entrega consistente hoje, e no futuro próximo.
Para seguir explorando caminhos de atuação, veja também o artigo Mapeamento de oportunidades: como encontrar nichos pouco disputados nas licitações.
Lançado em 2014, o In Club é uma iniciativa IBIZ®, referência tecnológica na captura, tratamento, entrega, gestão e inteligência da informação para o mercado de Compras Públicas. A proposta do In Club é integrar a extensa rede de empresas, profissionais prestadores de serviços e fornecedores que atuam direta e indiretamente no mercado de Compras Públicas, tornando-se uma referência, um ponto de encontro.
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