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  • Estado nutricional e consumo alimentar no Brasil: uma visão estratégica para quem atua no mercado público
27/11/2025

Estado nutricional e consumo alimentar no Brasil: uma visão estratégica para quem atua no mercado público

Estado nutricional e consumo alimentar no Brasil: uma visão estratégica para quem atua no mercado público

O estado nutricional e o consumo alimentar no Brasil são monitorados de forma contínua por pesquisas oficiais que acompanham os hábitos da população adulta nas principais capitais. A edição mais recente do VIGITEL 2023, publicada em 2024 é a última versão disponível da série histórica iniciada em 2006 e apresenta um panorama atualizado sobre a evolução dos indicadores alimentares e nutricionais no país. Esse monitoramento permite identificar tendências consolidadas, como o avanço do excesso de peso, a queda no consumo de alimentos in natura e o aumento da presença de ultraprocessados na rotina alimentar.

Para fornecedores que atuam em licitações de alimentação, merenda escolar, abastecimento institucional ou serviços de refeições, compreender esses movimentos é fundamental. As mudanças no comportamento alimentar da população influenciam diretamente políticas públicas, padrões nutricionais exigidos em contratos e critérios técnicos presentes nos editais.

Neste artigo, você vai entender:

  • as principais tendências de estado nutricional e consumo alimentar no Brasil, com dados atualizados do VIGITEL, IBGE e projeções internacionais;
  • como esses indicadores influenciam políticas públicas, cardápios institucionais e critérios técnicos de editais;
  • o impacto dessas tendências para mercados como merenda escolar, nutrição clínica, alimentação institucional e refeições prontas;
  • como fornecedores podem usar esses insights para ajustar portfólio, fortalecer propostas e competir melhor em licitações;
  • e onde encontrar oportunidades reais em nichos pouco disputados do mercado público.

Boa leitura!

 

O que os dados revelam sobre o comportamento alimentar no país

 

As pesquisas do VIGITEL (2006–2023) e estudos internacionais recentes mostram mudanças significativas no padrão alimentar brasileiro. O país convive hoje com dois fenômenos simultâneos: piora dos indicadores de excesso de peso e redução da qualidade da alimentação. Entre os destaques mais recentes:

 

  • Excesso de peso segue em crescimento contínuo
    O VIGITEL 2023 mostra que 61,4% dos adultos das capitais brasileiras estão com excesso de peso. Estudos recentes, como o Atlas Mundial da Obesidade 2025, indicam que, considerando a população brasileira como um todo, esse percentual pode chegar a 68%. Trata-se de uma tendência sustentada, observada em todas as faixas etárias e regiões do país.
  • Obesidade já afeta 21,9% dos adultos e deve crescer ainda mais
    A taxa de obesidade dobrou desde 2006. Projeções epidemiológicas apontam que o Brasil pode atingir 31% de prevalência de obesidade até 2025, o que pressiona políticas públicas e influencia diretamente os parâmetros nutricionais exigidos em compras governamentais.
  • Consumo de frutas e hortaliças é insuficiente e apresenta tendência de queda
    Em 2023, 31,9% dos adultos relataram consumir frutas e hortaliças em cinco ou mais dias por semana.
    No entanto, esse indicador mede frequência, não quantidade e a OMS recomenda cinco porções diárias (cerca de 400 g). Estimativas nacionais mostram que apenas 22% a 25% dos adultos atingem essa quantidade mínima.

Um estudo publicado em fevereiro de 2025, com base em dados do VIGITEL entre 2008 e 2023, identificou inclusive um declínio no consumo de frutas e hortaliças no período mais recente (2015–2023), evidenciando piora no padrão alimentar.

  • Consumo de ultraprocessados aumenta de forma consistente
    O indicador “consumo de cinco ou mais grupos de ultraprocessados no dia anterior” cresceu de forma contínua desde 2018, reforçando uma tendência de substituição de alimentos in natura por produtos industrializados.

Para aprofundar essa reflexão, leia o artigo Contratos públicos garantem alimentação de qualidade a milhões de brasileiros.

Esses dados reforçam a necessidade de políticas nutricionais mais exigentes e criam oportunidades para fornecedores capazes de atender padrões de qualidade mais altos, seja com produtos naturais, minimamente processados ou com reformulações que reduzam açúcar, sódio e gordura. Essas evidências dialogam com as análises aprofundadas já publicadas pelo InClub sobre obesidade no mundo e obesidade no Brasil, que contextualizam o avanço das DCNTs e suas implicações para políticas públicas.

Tabela — Tendências nacionais (VIGITEL 2023, IBGE 2024–2025, Atlas 2025)

Tendência Evidências mais recentes (2023–2025) Impacto nas políticas Oportunidades para fornecedores
Excesso de peso • 61,4% dos adultos das capitais (VIGITEL 2023)
• Atlas 2025: estimativa nacional chegando a 68%
Expansão de programas de promoção de alimentação saudável; exigências nutricionais mais rígidas Reformulação de produtos; redução de sódio/açúcar; rotulagem mais clara
Obesidade • 21,9% de prevalência nas capitais (VIGITEL 2023)
• Atlas 2025: 1 em cada 3 brasileiros vive com obesidade
• Projeção 2025: 31%
Fortalecimento de diretrizes como PNAE/PAA; restrição de ultraprocessados; políticas de enfrentamento às DCNTs Produtos de composição limpa; itens integrais; soluções com teor reduzido de açúcar/gorduras
Baixo consumo de frutas/verduras • 31,9% consomem em 5+ dias/semana (frequência)
• Apenas 22–25% atingem a recomendação mínima de 5 porções/dia (400g) (OMS)
• Estudo 2025 mostra queda entre 2015–2023
Incentivo à compra institucional, agricultura familiar, cardápios baseados em alimentos in natura Hortifrúti regional; logística refrigerada; produtos minimamente processados
Alta ingestão de ultraprocessados • Consumo de 5+ grupos de ultraprocessados cresceu desde 2018 (VIGITEL) Redução em cardápios de escolas, hospitais e socioassistenciais; restrições em editais Reformulação de portfólio; versões menos processadas; eliminação de aditivos críticos
Desigualdade alimentar • Insegurança alimentar em 2024 atinge o menor nível em 20 anos, mas ainda afeta 6,48 milhões de pessoas (IBGE/PNAD 2024)
• Diferenças marcantes por renda, região e escolaridade
Políticas territoriais; priorização de compras regionais; programas de assistência alimentar Kits alimentares; soluções regionais; cestas com foco nutricional; abastecimento local

 

Por que isso importa para fornecedores que participam de licitações

 

Os dados sobre estado nutricional e consumo alimentar influenciam diretamente:

  • critérios mínimos em editais;
  • exigências de tabelas nutricionais, composição e rastreabilidade;
  • redução de ultraprocessados;
  • maior foco em alimentos in natura e minimamente processados;
  • fortalecimento da segurança alimentar e nutricional.

Na prática, isso significa que os contratos públicos estão cada vez mais orientados por critérios nutricionais claros e fornecedores que conseguem demonstrar qualidade, rastreabilidade e adequação técnica têm muito mais chances de competir com vantagem.

 

Como fornecedores podem usar esses insights para competir melhor em licitações

 

As mudanças no estado nutricional da população e no consumo alimentar, evidenciadas pelo vigitel, pelas projeções internacionais e pelos dados recentes do IBGE, já têm reflexo direto nos critérios técnicos adotados pelo setor público. À medida que governos reforçam políticas de alimentação saudável, ampliam a vigilância nutricional e ajustam cardápios em escolas, hospitais, unidades socioassistenciais e forças de segurança, abre-se um conjunto de oportunidades para fornecedores capazes de entregar soluções alinhadas às novas exigências de qualidade, rastreabilidade e composição.

Mais do que acompanhar editais, competir com vantagem passa a exigir leitura estratégica das tendências nutricionais e capacidade de adaptar portfólio, documentação e logística às demandas específicas de cada segmento.

A seguir, alguns dos mercados mais impactados e onde esses insights podem ser aplicados de forma prática:

 

1. Nutrição clínica e fórmulas nutricionais: mercado em expansão

 

Hospitais, unidades socioassistenciais e atenção básica demandam:

  • fórmulas enterais,
  • suplementos nutricionais,
  • espessantes,
  • leites especiais.

Critérios como densidade nutricional, laudos técnicos e regularidade de entrega ganham peso nos editais.

 

2. Alimentação institucional (prisional, socioeducativo, forças de segurança)

 

Tendências:

  • substituição progressiva de ultraprocessados;
  • padrões nutricionais padronizados;
  • maior uso de frutas, proteínas magras e integrais.

Oportunidades:

  • logística contínua,
  • refeições prontas,
  • cardápios especiais conforme portarias estaduais.

 

3. Merenda escolar: o mercado mais regulado

 

O PNAE exige:

  • mínima oferta de ultraprocessados;
  • alimentos regionais;
  • frutas e verduras diariamente.

Fornecedores podem explorar:

  • hortifrúti,
  • panificados integrais,
  • insumos especiais,
  • refeições prontas resfriadas.

 

4. Refeições prontas para hospitais e acolhimento institucional

 

A demanda aumenta por:

  • cozinhas centralizadas,
  • embalagens termoestáveis,
  • cardápios restritivos (diabetes, hipertensão, idosos),
  • soluções de armazenamento e conservação.

Em resumo, os fornecedores que conseguem traduzir essas tendências nutricionais em soluções práticas, seja por meio de um portfólio atualizado, processos mais robustos ou comprovação técnica consistente tornam-se parceiros mais confiáveis para o setor público. O mercado de alimentação institucional está passando por mudanças estruturais, e quem se antecipa a essas exigências chega às licitações com mais clareza, mais preparo e muito mais chances de vitória.

  • Leia também: Análise de Mercado: o que é, como fazer e por que ela é essencial para seu negócio

 

FAQ – Perguntas Frequentes sobre Alimentação e Compras Públicas

 

A seguir, reunimos algumas perguntas frequentes que ajudam a esclarecer como os dados de estado nutricional e consumo alimentar no Brasil influenciam políticas públicas, critérios de editais e oportunidades para fornecedores que atuam no mercado de alimentação institucional.

 

1. O governo realmente usa dados nutricionais nas compras públicas?

 

Sim. As compras governamentais utilizam dados epidemiológicos para orientar padrões nutricionais e critérios mínimos de qualidade. Programas como PNAE, PAA, protocolos hospitalares, portarias estaduais e diretrizes municipais de alimentação saudável são fundamentados em informações do VIGITEL, IBGE/PNAD, Atlas Mundial da Obesidade e estudos acadêmicos. Esses dados definem desde a composição de cardápios até restrições de ingredientes e exigências de rotulagem e rastreabilidade.

 

2. Produtos ultraprocessados estão proibidos nas licitações públicas?

 

Não. Ultraprocessados não estão proibidos, mas sofrem restrições crescentes. Em escolas, hospitais e unidades socioassistenciais, muitos estados e municípios já:

  • limitam a oferta,
  • restringem ingredientes críticos (açúcar, sódio, gorduras),
  • ou substituem itens por versões minimamente processadas.
    A tendência regulatória é reduzir gradualmente esse tipo de produto nos contratos públicos.

 

3. Fórmulas nutricionais e suplementos são muito licitados pelo governo?

 

Sim. Fórmulas enterais, suplementos nutricionais, espessantes, módulos proteicos e leites especiais aparecem de forma contínua em licitações estaduais e municipais especialmente em hospitais, unidades de acolhimento, redes socioassistenciais e programas de atenção domiciliar. A demanda cresce com o envelhecimento populacional, aumento das DCNTs e maior atenção nutricional em políticas públicas.

 

4. Pequenas empresas conseguem competir em licitações de alimentação?

 

Conseguem e têm vantagens competitivas em vários segmentos. MEIs, MEs e EPPs são extremamente competitivos em categorias como:

  • hortifrúti regional,
  • panificados,
  • produtos integrais,
  • refeições prontas,
  • insumos para merenda escolar.
    Quando combinam padronização, laudos técnicos e logística consistente, disputam editais maiores e ampliam capilaridade local.

 

5. As exigências nutricionais em editais devem aumentar nos próximos anos?

 

Sim. A tendência é de exigências nutricionais cada vez mais criteriosas, impulsionadas por:

  • aumento do excesso de peso e obesidade,
  • recomendações da OMS,
  • diretrizes nacionais de alimentação saudável,
  • dados do VIGITEL e IBGE,
  • pressão por segurança alimentar e nutricional.

Isso inclui maior foco em alimentos in natura, limites para ultraprocessados, mais pedidos de tabelas nutricionais, rastreabilidade, laudos e comprovações técnicas.

 

O que esse cenário revela para fornecedores que atuam no mercado público

 

As evidências mais recentes sobre o estado nutricional e o consumo alimentar no Brasil mostram um cenário em rápida transformação e o setor público está respondendo a essas mudanças com políticas mais técnicas, cardápios mais criteriosos e editais cada vez mais alinhados às diretrizes de alimentação saudável. Para os fornecedores, isso significa atuar em um ambiente no qual qualidade, rastreabilidade e aderência nutricional deixaram de ser diferenciais e passaram a ser requisitos para competir.

Os dados do VIGITEL, do IBGE e das projeções internacionais revelam tendências claras: redução do consumo de alimentos in natura, avanço dos ultraprocessados, aumento do excesso de peso e da obesidade e desigualdades alimentares persistentes. Entender esse contexto é fundamental para desenvolver soluções mais sólidas, ajustar portfólios e construir propostas técnicas que dialoguem diretamente com o que os órgãos públicos buscam.

Ao incorporar essas evidências no planejamento, fornecedores chegam às licitações com maior clareza sobre o que é valorizado, quais critérios tendem a endurecer e como traduzir requisitos nutricionais em produtos, logística e comprovações técnicas. Em um mercado que avança para padrões mais exigentes, vence quem combina leitura estratégica do cenário com capacidade de entrega consistente hoje, e no futuro próximo. 

 

Para seguir explorando caminhos de atuação, veja também o artigo Mapeamento de oportunidades: como encontrar nichos pouco disputados nas licitações.

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Sobre o In Club

Lançado em 2014, o In Club é uma iniciativa IBIZ®, referência tecnológica na captura, tratamento, entrega, gestão e inteligência da informação para o mercado de Compras Públicas. A proposta do In Club é integrar a extensa rede de empresas, profissionais prestadores de serviços e fornecedores que atuam direta e indiretamente no mercado de Compras Públicas, tornando-se uma referência, um ponto de encontro.

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