Panorama do câncer 2025: impacto nas políticas públicas e oportunidades nas licitações de saúde
07/08/2025
Panorama do câncer 2025: impacto nas políticas públicas e oportunidades nas licitações de saúde
Com a publicação da nova estimativa de incidência de câncer no Brasil para o triênio 2023-2025, o país reforça o alerta sobre a necessidade de políticas públicas robustas e maior eficiência na gestão do SUS. Segundo dados do INCA, serão 704 mil novos casos por ano, o que coloca a doença no topo das prioridades do sistema público de saúde e pressiona a cadeia de fornecimento em diversas frentes: medicamentos oncológicos, insumos hospitalares, exames diagnósticos e infraestrutura para tratamento
Para fornecedores do setor público, acompanhar a evolução epidemiológica e as atualizações da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) é essencial para se preparar para as novas demandas do mercado governamental. Essas mudanças impactam diretamente a formatação de propostas, os requisitos técnicos exigidos em editais e o planejamento logístico necessário para atender às futuras licitações.
Neste artigo, você vai entender:
Quais são os dados mais recentes sobre o câncer no Brasil e no mundo.
Como essas informações impactam as políticas públicas e a dinâmica do SUS.
O que fornecedores de medicamentos, dispositivos e insumos precisam observar para alinhar suas estratégias às tendências do mercado público.
Boa leitura!
Panorama global do câncer em 2025
O câncer continua sendo um desafio crescente em escala global. Atualmente, existem cerca de 19 milhões de casos de câncer e 10 milhões de mortes anuais no mundo, excluindo câncer de pele não melanoma. Caso não haja intervenções, projeta-se que esses números cresçam significativamente até 2050: 33 milhões de novos casos e 18 milhões de mortes. Esse aumento é impulsionado principalmente pelo envelhecimento e pelo crescimento populacional.
O câncer de pulmão é o mais frequentemente diagnosticado no mundo (13% do total de casos), seguido pelo câncer de mama feminina (12%), colorretal (10%), próstata (8%) e estômago (5%). Ele também lidera como a principal causa de morte por câncer (19% do total), seguido por colorretal (9%), hepático (8%), mama feminina (7%) e estômago (7%).
Mais da metade dos novos casos (9,7 milhões) e 56% das mortes (5,4 milhões) ocorrem na Ásia, continente que abriga 60% da população global. A Europa tem a segunda maior carga de câncer, com 4 milhões de casos anuais (22% do total) e 2 milhões de mortes (20%), seguida pela América do Norte, com 2,1 milhões de casos (11%). A África apresenta a maior previsão de crescimento da incidência: até 2050, os casos podem aumentar 139%, em comparação com 22% na Europa.
Insight para fornecedores: O aumento global da incidência e mortalidade de câncer gera uma pressão crescente por medicamentos inovadores, tecnologias de diagnóstico e infraestrutura hospitalar. Empresas que acompanham tendências globais podem antecipar demandas locais e posicionar-se de forma mais estratégica nas licitações nacionais.
Situação do câncer no Brasil: dados atualizados do INCA
No Brasil, o cenário não é diferente. Para cada ano do triênio 2023-2025, o INCA estima a ocorrência de 704 mil novos casos de câncer, sendo 483 mil se excluídos os cânceres de pele não melanoma. Os tipos mais frequentes são:
Câncer de pele não melanoma: 31,3% dos casos (220 mil).
Câncer de mama: 10,5% dos casos (74 mil).
Câncer de próstata: 10,2% (72 mil).
Câncer de cólon e reto: 6,5% (46 mil).
Câncer de pulmão: 4,6% (32 mil).
Dados por sexo e região
Conheça estatísticas relacionadas a sexo, idade e região do Brasil:
Entre os homens:
Pele não melanoma: 29,9% dos casos (102 mil).
Próstata: 21% (72 mil).
Cólon e reto: 6,4% (22 mil).
Pulmão: 5,3% (18 mil).
Entre as mulheres:
Pele não melanoma: 32,7% dos casos (118 mil).
Mama: 20,3% (74 mil).
Cólon e reto: 6,5% (24 mil).
Colo do útero: 4,7% (17 mil).
Câncer infantil
O câncer infantojuvenil merece atenção especial. Estima-se que ocorram 7.930 novos casos por ano no Brasil, sendo 4.230 em meninos e 3.700 em meninas. A maior incidência está concentrada nas regiões Sul e Sudeste.
Desafios regionais
As regiões Sudeste e Sul concentram cerca de 70% da incidência de câncer no país. Já o Norte e o Nordeste apresentam maior prevalência de cânceres como colo do útero e estômago, reflexo de desigualdades históricas no acesso à prevenção e diagnóstico precoce.
O que esses dados significam para fornecedores do governo?
O panorama epidemiológico impacta diretamente a demanda por produtos e serviços de saúde no SUS e, consequentemente, a agenda de licitações públicas. Para fornecedores do governo, os dados sinalizam pontos-chave:
Crescimento da demanda por medicamentos oncológicos: Os cânceres de mama, próstata, pulmão e colorretal concentram grande parte dos casos e, portanto, puxam o volume de compras públicas. Saiba aqui como funciona a licitação de medicamentos no setor público.
Expansão de serviços diagnósticos e de suporte hospitalar: Investimentos em infraestrutura hospitalar, exames de imagem, patologia molecular e terapias personalizadas serão cada vez mais priorizados.
Judicialização e compras emergenciais: Altos índices de câncer infantil e diagnósticos em estágio avançado aumentam a necessidade de aquisições rápidas, muitas vezes por dispensa de licitação. Confira aqui o guia de gestão de riscos para empresas que participam de licitações.
Distribuição regional desigual: Sudeste e Sul concentram o maior volume de compras públicas. Fornecedores podem mapear oportunidades por região e ajustar suas estratégias de distribuição e participação em licitações.
Políticas públicas e acesso ao tratamento oncológico
A legislação brasileira busca garantir o acesso rápido ao diagnóstico e tratamento oncológico:
Além disso, as decisões da Conitec sobre incorporação de novas tecnologias e medicamentos ao SUS, bem como as atualizações dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDTs), são fatores determinantes para a dinâmica das compras públicas.
A rede Unacon/Cacon (Unidades e Centros de Alta Complexidade em Oncologia) concentra o tratamento oncológico no país. Conhecer o funcionamento dessa rede ajuda fornecedores a preverem os polos de maior demanda e a estrutura necessária para atender aos editais.
Insight: Fornecedores que entendem o fluxo das compras públicas e dominam os portais de compras do governo aumentam a competitividade em licitações e conseguem atuar com mais previsibilidade.
Como fornecedores do governo podem se preparar diante do panorama do câncer 2025
Os dados atualizados reforçam que o câncer é um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil e no mundo e, ao mesmo tempo, um dos principais vetores de compras governamentais em saúde. Fornecedores do governo que atuam em oncologia, dispositivos médicos, diagnóstico e infraestrutura hospitalar precisam ir além do acompanhamento de editais: devem entender profundamente os indicadores epidemiológicos para prever a demanda e se posicionar de forma estratégica.
A previsão de 704 mil novos casos anuais no Brasil até 2025 exige planejamento e agilidade. A alta incidência de cânceres de mama, próstata, pulmão e colorretal cria oportunidades recorrentes em licitações públicas, enquanto as políticas de acesso (Leis dos 30 e 60 dias) reforçam a necessidade de uma logística eficiente e atendimento rápido às demandas do SUS.
Entender as estatísticas relacionadas a saúde no país e tratamentos realizados no SUS é de suma importância para fornecedores especializados. Aproveite sua visita ao blog para ler também o nosso artigo sobre hipertensão no Brasil.
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Sobre o In Club
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